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O Filho de Eneias



Quarta-feira, 29.01.14

Um pensamento vespertino

A pensar num célebre brocado de André Gide: "aujourd'hui plus d'artistes que d'oeuvres d'art". Uma frase que, nesta época despejada do Belo e da Vida, faz pensar nas "culturalices" a que temos sido, repetidamente, subordinados.

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por João Pinto Bastos às 16:52

Sábado, 25.01.14

O anti-judaísmo da ignorância larvar

Há males que, infelizmente, para prejuízo dos nossos miserandos pecados, teimam em não desaparecer. Um dos males a que me refiro consiste, mais precisamente, no preconceito ignóbil que vastas camadas da população dedicam a tudo o que cheire a um arremedo de judaísmo. Preconceito esse, irracional e, as mais das vezes, totalmente infundado. Vem isto a propósito de uma conversa tida com um livreiro a respeito dos "judeus". Nessa ocasião, e dado o meu interesse - que não é, sublinhe-se, de hoje - pela cultura judaica, indaguei o dito livreiro acerca da sua disponibilidade em apresentar-me títulos literários relativos ao povo judaico. A resposta que me foi dada a ouvir deixou-me, tenho de confessar, completamente aturdido. Disse-me o livreiro em questão, com um sorriso sumamente sardónico, que a única obra que possuía relativamente a esse "povo nojento" era um livro acerca da Maçonaria, e que mesmo esse não valia, na sua rigorosíssima avaliação, "grande espingarda". Como podem constatar, numa só frase, este ilustríssimo concidadão foi capaz de expelir dois absurdos que, por ausência de uma educação devidamente ministrada, continuam a infestar as mentes tacanhas de muito populacho. Na minha resposta, tentei, em seguida, com muita paciência, note-se, explicar ao dito cujo que não, que judaísmo e Maçonaria não são, em rigor, a mesma coisa, que, não obstante alguns pontos de contacto muito ténues, não há qualquer ligação entre a ordem maçónica e a religião judaica, enfim, tentei explicar o óbvio, mostrando que a lógica dos "Protocolos dos Sábios do Sião" há muito que se esgotou, graças ao facto de as conspiracionices inventadas por muitos sábios de salão não resistirem aos menores choques com a realidade. É evidente que, atenta a ignorância larvar do pobre livreiro, o meu esforço foi ingloriamente baldado. E, em boa verdade, era inevitável que o fosse. É que, para todos os efeitos, parece que, em muitos portugueses, o espírito de 1496 e 1506 ainda continua, bastarda e horripilantemente, à solta. É pena.

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por João Pinto Bastos às 12:59

Quinta-feira, 23.01.14

Para um conceito bem pessoal da vida boa

Passar um serão bem agradável na companhia da Eroica de Beethoven, tendo no regaço a Divina Comédia de Dante. E, no fim, como corolário, um gole de um Porto vintage. 

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por João Pinto Bastos às 00:47

Sexta-feira, 10.01.14

A censura do Monsieur

A liberdade é um conceito tramado que serve, as mais das vezes, de suporte a agendas políticas ridiculamente banditizadas. A mais recente atoarda censória de Hollande não é, a este propósito, uma grande surpresa, pelo facto singelo de toda a "obra" legada pelo président estar ferreteada pela mais completa e estupidificante inépcia política. Nesse sentido, o banditismo constituído pela censura, política e judicialmente chancelada, de um cómico não é, bem vistas as coisas, uma novidade. Numa presidência inicialmente votada à recuperação do grandeur da França, o falhanço no cumprimento das grandes metas macroeconómicas, acompanhado da deriva geoestratégica de uma elite demencialmente perdida, deu lugar, como o Miguel Castelo Branco sublinhou aqui, a manobras de diversão múltiplas, votadas, primacialmente, a desviar a atenção do povinho francês do cerne claudicante da política hollandista. O problema é que censuras deste jaez, com maior ou menor brado mediático, tenderão, a médio e longo prazo, a supurar os alicerces das liberdades democráticas. O fantasma do liberticídio anda por aí, ameaçando, a miúdo sub-repticiamente, os fundamentos do contrato social.  E Hollande, com a sua costumeira inabilidade política, voltou, para não variar, a dar voz, espaço e luzes aos que tão inclementemente criticam o ocaso da República. Seria bom que, pelo menos, uma única vez, o socialismo francês fosse capaz de distinguir o trigo do joio.

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por João Pinto Bastos às 14:11

Segunda-feira, 06.01.14

Eusébio da Silva Ferreira

Bem sei que, por força das circunstâncias, a tentação é assaz elevada, mas mesmo assim espero que estas palavras não afectem a homenagem que Eusébio da Silva Ferreira, um português exemplaríssimo, evidentemente merece. Eusébio foi, para lá das suas imensas qualidades como futebolista, um homem bom. Humilde e modesto, soube ganhar o seu prestígio sem reclamar de nada nem de ninguém. Nos dias que correm, imersos, como estamos, na bolha da espectacularidade imediatista, um exemplo destes tende, forçosamente, a criar alguma estranheza nas toscas mentes dos portuguesinhos dados à vida preguicenta. Eusébio trabalhava, e sabia, ao contrário de muitos, que o sucesso só se alcança com muito esforço e dedicação. Em determinados momentos da sua vida, o "pantera negra" pagaria bem caro essa fidelidade ao esforço animoso. Muitos dos que, hoje, prestaram preito à memória do ex-jogador do Benfica e da selecção nacional foram, justamente, aqueles que, em tempos idos, mais criticaram Eusébio pela sua devoção a uma ética do serviço franca e desinteressada. As coisas são como são, e, na vida, por vezes, só a morte é capaz de conferir ao indivíduo a sua verdadeira dimensão, indivíduo esse, que, muitas vezes a expensas próprias, deu tudo o que tinha e o que não tinha em prol da sua comunidade. De certo modo, a morte de Eusébio representa o suspiro final da saudosa ideia do Portugal pluricontinental, um Portugal que conglobava e unificava credos, raças e homens das mais distintas sortes num todo comum, um Portugal que unia o diferente e o desavindo sem promessas de falsa ilustração. Eusébio foi-se mas fica a sua memória, tão perdurável como os feitos de outros portugueses ilustres, que, com denodo e desinteresse, serviram a sua pátria. No fundo, o melhor epítome da figura de Eusébio foi dado por Toni, que, em resposta a um dos periodistas da praça, disse, e bem, que Eusébio soube ser um rei num mundo pejado de príncipes. Eu, devido, provavelmente, à minha veia monárquica, não diria assim tão mal dos príncipes, mas a verdade é que Eusébio soube ser maior do que os seus compinchas pelo facto de, à semelhança dos bons reis, saber que o caminho mais escorreito para a vitória é o serviço leal e dedicado. Um bom rei age sempre assim. E Eusébio, à sua maneira, agiu deste modo em toda a sua longa e riquíssima vida. Obrigado, King!

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por João Pinto Bastos às 00:05


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