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O Filho de Eneias


Quinta-feira, 21.11.13

A sátira das engenharias lapucianas

 

Jonhatan Swift, As Viagens de Gulliver:

"Lord Munodio continuou, dizendo que, quanto a ele, que não era dotado de um espírito empreendedor, contentava-se em seguir fielmente as normas antigas, viver nas casas construídas pelos seus antepassados e agir como eles em todas as práticas da vida, sem inovações. Que várias outras pessoas da nobreza e burguesia tinham feito o mesmo, mas eram consideradas com um certo desprezo e má vontade, como inimigos da arte, ignorantes e maus cidadãos, preferindo as suas comodidades e ócios ao progresso geral do país.

  Sua Excelência acrescentou que não queria antecipar, com a sua entrada em pormenores, o prazer que eu havia de sentir ao visitar a grande academia, onde tencionava levar-me. Apenas me chamou a atenção para um edifício em ruínas perto da montanha, a três milhas de distância, a propósito do qual me contou que possuía em tempos um moinho muito aceitável, a meia milha de sua casa, movido pela corrente de um grande rio e que bastava a toda a sua família, assim como a um grande número dos seus rendeiros. Porém, há uns sete anos atrás, fora abordado por um grupo daqueles engenheiros, que lhe propuseram a destruição daquele moinho e a construção de um outro no sopé da montanha. Segundo o seu projecto, construir-se-ia um grande reservatório no cimo da mesma montanha, para onde a água seria facilmente conduzida por meio de bombas e canalizações. Essa água, agitada pelo vento e pelo ar no alto da montanha, armazenaria uma maior energia, que seria aumentada na sua descida pela encosta da montanha, indo fazer moer o moinho com metade do caudal de um rio cujo leito se encontra geralmente mais nivelado. Como sabia que na altura não estava nas boas graças da corte, e, ao mesmo tempo, instado por muitos dos seus amigos, acabara por aceitar o projecto. Porém, depois de ter ao serviço uma centena de operários durante dois anos, a obra falhou por completo e os engenheiros foram-se embora, lançando todas as culpas sobre ele e pondo-o a ridículo, enquanto ao mesmo tempo iam convencendo outros a tentarem a obra com as mesmas garantias de sucesso e igual desfecho desastroso."

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por João Pinto Bastos às 14:42


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