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O Filho de Eneias


Segunda-feira, 06.01.14

Eusébio da Silva Ferreira

Bem sei que, por força das circunstâncias, a tentação é assaz elevada, mas mesmo assim espero que estas palavras não afectem a homenagem que Eusébio da Silva Ferreira, um português exemplaríssimo, evidentemente merece. Eusébio foi, para lá das suas imensas qualidades como futebolista, um homem bom. Humilde e modesto, soube ganhar o seu prestígio sem reclamar de nada nem de ninguém. Nos dias que correm, imersos, como estamos, na bolha da espectacularidade imediatista, um exemplo destes tende, forçosamente, a criar alguma estranheza nas toscas mentes dos portuguesinhos dados à vida preguicenta. Eusébio trabalhava, e sabia, ao contrário de muitos, que o sucesso só se alcança com muito esforço e dedicação. Em determinados momentos da sua vida, o "pantera negra" pagaria bem caro essa fidelidade ao esforço animoso. Muitos dos que, hoje, prestaram preito à memória do ex-jogador do Benfica e da selecção nacional foram, justamente, aqueles que, em tempos idos, mais criticaram Eusébio pela sua devoção a uma ética do serviço franca e desinteressada. As coisas são como são, e, na vida, por vezes, só a morte é capaz de conferir ao indivíduo a sua verdadeira dimensão, indivíduo esse, que, muitas vezes a expensas próprias, deu tudo o que tinha e o que não tinha em prol da sua comunidade. De certo modo, a morte de Eusébio representa o suspiro final da saudosa ideia do Portugal pluricontinental, um Portugal que conglobava e unificava credos, raças e homens das mais distintas sortes num todo comum, um Portugal que unia o diferente e o desavindo sem promessas de falsa ilustração. Eusébio foi-se mas fica a sua memória, tão perdurável como os feitos de outros portugueses ilustres, que, com denodo e desinteresse, serviram a sua pátria. No fundo, o melhor epítome da figura de Eusébio foi dado por Toni, que, em resposta a um dos periodistas da praça, disse, e bem, que Eusébio soube ser um rei num mundo pejado de príncipes. Eu, devido, provavelmente, à minha veia monárquica, não diria assim tão mal dos príncipes, mas a verdade é que Eusébio soube ser maior do que os seus compinchas pelo facto de, à semelhança dos bons reis, saber que o caminho mais escorreito para a vitória é o serviço leal e dedicado. Um bom rei age sempre assim. E Eusébio, à sua maneira, agiu deste modo em toda a sua longa e riquíssima vida. Obrigado, King!

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por João Pinto Bastos às 00:05


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